Introdução

Em meio à pandemia de COVID-19, outras doenças virais, tais como a dengue, também merecem atenção especial.

Segundo dados do Ministério da Saúde, até o início de março de 2020, já foram notificados 390.684 casos de dengue em todo o Brasil, o que representa uma taxa de incidência de 185,9 casos por 100 mil habitantes.

O grande volume de chuvas durante os três primeiros meses do ano e o possível descuido da população frente à preocupação com o  novo vírus, podem levar a um aumento significativo do número de casos de dengue ao longo do ano. Por outro lado, atualizações diárias referentes à infecção por COVID-19 em todo o mundo reforçam a necessidade de tomarmos medidas mais eficazes para o controle da doença.

De Dessa forma, a informação correta é uma das armas mais importantes para evitar a disseminação das duas doenças, reduzindo a morbidade e mortalidade a elas associadas. Diante disso, disponibilizamos dois informativos com informações básicas sobre a dengue e COVID-19, e referências que podem ser consultadas sempre que necessário.

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Dengue

A dengue é uma arbovirose transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. O mesmo vetor também está envolvido na transmissão de febre amarela, zika e chikungunya. É uma doença sazonal, com maior incidência em períodos quentes e de alta umidade, já que tais condições favorecem a proliferação do mosquito transmissor.

Agente etiológico

O vírus da dengue (DENV) pertence ao gênero Flavivirus. São vírus com RNA fita simples, que possuem um capsídeo proteico envolto por um envelope lípidico (por isso são chamados vírus envelopados). Existem quatro sorotipos de DENV circulando no Brasil: DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4. As epidemias estão associadas ao sorotipo circulante em cada período.

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Epidemiologia

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 29/12/2019 e 14/03/2020, foram notificados 390.684 casos prováveis de dengue no Brasil. No mesmo período foram confirmados 106 óbitos causados pela doença.

No Brasil, a dengue é considerada um grave problema de saúde pública devido à morbidade e mortalidade observadas.

Sintomatologia

O quadro clínico de dengue clássica é muito variável e pode incluir: febre alta (39 a 40°C), cefaleia, mialgia, prostração, dores no corpo, náuseas, vômitos, prurido cutâneo e pequenas manchas vermelhas pelo corpo. Casos de dengue hemorrágica apresentam a mesma sintomatologia de dengue clássica, mas evoluem rapidamente para manifestações hemorrágicas, derrames cavitários, instabilidade hemodinâmica e choque.

Diagnóstico Laboratorial

Exames específicos: detecção da proteína NS1, dosagem de IgG e dosagem de IgM. Exames inespecíficos: hemograma e coagulograma.

Alterações hematológicas

Pacientes com dengue apresentam alterações hematológicas que se relacionam à gravidade da doença. Dentre as mais comuns, observa-se: aumento do hematócrito, leucopenia ou leucocitose leve, linfocitose com presença de linfócitos atípicos, plaquetopenia e alterações na hemostasia sanguínea, levando a casos de hemorragia.

Profilaxia

A melhor forma de prevenção é evitar o acúmulo de água parada, eliminado os reservatórios de proliferação do mosquito. Vale ressaltar que os ovos podem resistir no ambiente por até 1 ano, aguardando as condições ideais para eclodir. Diante disso, deve-se ter cuidado durante todo o ano, não só em épocas de epidemias.

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Para saber mais

Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico. Monitoramento dos casos de arboviroses urbanas transmitidas pelo Aedes aegypt (dengue, chikungunya e zika), Semanas Epidemiológicas 1 a 11, 2020. Volume 51, março de 2020.

Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico. Diretoria Técnica de Gestão. – 2. ed. –Brasília : Ministério da Saúde 2012.

OLIVEIRA, E. C. L., et al . Alterações hematológicas em pacientes com dengue. Rev. Soc. Bras. Med. Trop., Uberaba , v. 42, n. 6, p. 682-685, Dec. 2009.

Guzman, M., Gubler, D., Izquierdo, A. et al. Dengue infection. Nat Rev Dis Primers 2, 16055 (2016). https://doi.org/10.1038/nrdp.2016.55.

AZEVEDO, A.S. Desenvolvimento de vacinas de DNA contra o vírus da dengue baseadas na proteína do envelope viral. Tese (Doutorado em Ciências) – Instituto Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, 2011.

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A COVID-19 (do inglês, Coronavirus Disease 2019) é uma doença respiratória infecciosa causada pelo vírus da síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2). Os primeiros relatos da COVID-19 ocorreram em Wuhan (China) no final de 2019 e a doença se tornou uma pandemia em março de 2020. A transmissão do vírus ocorre entre pessoas que estão em contato muito próximo, por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse/espirra ou por meio de objetos que contenham o vírus em sua superfície.

Agente etiológico

O SARS-CoV-2 é um vírus envelopado, com RNA de fita simples positiva, pertencente à família Coronaviridae. Os vírus dessa família possuem morfologia esférica com espículas em sua superfície, denominadas proteínas S, dando-lhes uma aparência de coroa. A ligação de tais proteínas aos receptores ACE2 (do inglês, Angiotensin-Converting Enzyme 2) permite a entrada do vírus nas células do sistema respiratório de humanos. Além disso, o SARS-CoV-2 pertence à subfamília Betacoronavírus, composta por vírus que infectam somente mamíferos e que são altamente patogênicos. Esse vírus são responsáveis por causar síndrome respiratória e gastrointestinal.

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Epidemiologia

Segundo os dados publicados pelo Ministério da Saúde no dia 30/03/2020, foram confirmados 4.579 casos e 159 mortes pela COVID-19 no Brasil.

Sintomatologia

Os sintomas do COVID-19 aparecem após o período de incubação de aproximadamente 5,2 dias, sendo os mais comuns: febre, fadiga, sintomas respiratórios, incluindo tosse, dor de garganta e falta de ar. Sintomas intestinais, apesar de raros, também podem ser relatados.

Diagnóstico Laboratorial

O diagnóstico laboratorial considerado padrão ouro para a identificação do SARS-CoV-2 é o teste molecular RT-qPCR (Reação em cadeia da polimerase da transcrição reversa em tempo real). Outra alternativa são os testes rápidos, os quais detectam anticorpos IgM e IgG ou antígenos virais.

Alterações hematológicas

Estudos indicam que pacientes com casos graves de COVID-19 tendem a apresentar leucocitose ou leucopenia, neutrofilia e linfopenia.

Profilaxia

A prevenção da doença COVID-19 consiste em diminuir a transmissão do vírus entre as pessoas. Recomenda-se lavar bem as mãos com água e sabão ou higienizá-las com álcool 70%, podendo ser líquido ou em gel; evitar tocar nos olhos, nariz e boca; cobrir o nariz e boca com o antebraço ao espirrar ou tossir; evitar aglomerações de pessoas; manter os ambientes bem ventilados e evitar o compartilhamento de objetos pessoais.

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Para saber mais:

• Ministério da Saúde . Boletim Epidemiológico 03. Doença pelo Novo Coronavírus 2019-COVID-19. Fevereiro, 2020. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2020/fevereiro/21/2020-02-21- Boletim-Epidemiologico03.pdf

• Ministério da Saúde. O que é coronavírus? (COVID-19). Disponível em: https://coronavirus.saude.gov.br/

• CDC, Centers for Disease Control and Prevention. Coronavirus disease 2019 (COVID-19). World Heal. Organ. 2019, 1–7 (2020).

• Ashour, H. M., Elkhatib, W. F., Rahman, M. & Elshabrawy, H. A. Insights into the Recent 2019 Novel Coronavirus ( SARS ‐ CoV ‐ 2 ) in Light of Past Human Coronavirus Outbreaks. 1–15 (2020). doi:10.3390/pathogens9030186

• Yan, R. et al. Structural basis for the recognition of the SARS-CoV-2 by. 2762, 1–10 (2020).

• Rothan, H. A. & Byrareddy, S. N. The epidemiology and pathogenesis of coronavirus disease (COVID-19) outbreak. J. Autoimmun. 102433 (2020). doi:10.1016/j.jaut.2020.102433

• Qin, C. et al. Dysregulation of immune response in patients with COVID-19 in Wuhan, China. Infect. Dis. Soc. Am. (2020).

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