O principal objetivo de um laboratório de Análises Clínicas é atuar na Medicina Diagnóstica, fornecendo um atendimento de excelência e liberação rápida de laudos com resultados seguros, os quais auxiliam o médico na definição do diagnóstico clínico do paciente. Devido à importância dos resultados gerados, é necessário que possíveis erros sejam minimizados, desde a entrada do paciente no laboratório para atendimento até a entrega do resultado.


Cerca de 70% dos diagnósticos são baseados nos laudos laboratoriais e os resultados podem influenciar de 60 a 70% nas decisões sobre internação, alta e tratamento do paciente. Erros laboratoriais podem levar a resultados falso-negativos ou falso-positivos, colocando em risco a saúde do paciente, o que impacta mais gravemente em indivíduos que possuem condição clínica mais delicada.


Nem sempre é possível identificar todos os problemas. Contudo, existe uma ferramenta que permite minimizá-los: o sistema de qualidade. Através dos programas de garantia de qualidade (PGQ), os processos nas fases pré-analítica, analítica e pós-analítica podem ser monitorados. A primeira fase corresponde desde o início do atendimento, coleta, centrifugação, até a preparação da amostra para análise. Identificação divergente, armazenamento em temperatura inadequada e coleta realizada de forma incorreta são exemplos de falhas que podem ocorrer nesta fase. A fase analítica, por sua vez, compreende os processos de análise da amostra biológica. É nessa fase que devemos ter a certeza de que todos os processos estão sendo realizados de acordo com procedimentos operacionais padrão (POPs) e se não há problemas técnicos como mau funcionamento de equipamentos, por exemplo. A fase pós-analítica, por fim, corresponde à análise e liberação do laudo pelo responsável técnico.


A fase pré-analítica inicia-se com a procura de ajuda médica pelo paciente, seja para realização de check up ou por alguma queixa de saúde. O médico realizará a anamnese para ter conhecimento do histórico clínico do paciente, uma vez que cada informação é importante, como uso de medicamentos, histórico de alguma doença, etc. Posteriormente, o paciente receberá informações sobre os exames a serem realizados para que o quadro clínico seja avaliado. É imprescindível, dessa forma, que o médico ou seus auxiliares indique ao paciente, após definição dos exames a serem realizados, o preparo necessário para realização dos mesmos, seja jejum ou restrição de algum componente alimentar, por exemplo.


Na coleta, é importante que o flebotomista (colhedor) seja capacitado, siga as normas de biossegurança e os protocolos pré-estabelecidos pelo laboratório local, de forma a garantir a segurança do paciente. Segundo a normativa determinada pela Clinical And Laboratory Standards Institute (CLSI)*, deve-se utilizar materiais estéreis e observar a ordem correta dos tubos, iniciando-se com o tudo de citrato de sódio (tampa azul), e em sequência o tubo de soro com ativador de coágulo, com ou sem gel separador (tampa amarela ou vermelha), tubo de heparina com ou sem gel separador de plasma (tampa verde), tubo com EDTA (tampa roxa), e por último, o tubo de fluoreto (tampa cinza). A alteração dessa sequência pode ocasionar a contaminação dos tubos subsequentes. Deve-se conferir o volume ideal de sangue em cada tubo e realizar a homogeneização de forma adequada. É fundamental que as técnicas de venopunção sejam bem executadas e que a posição do torniquete esteja correta, caso contrário, pode ocorrer interferência nos resultados analíticos, causando hemólise ou até mesmo um desconforto ao paciente por dificuldade de localização da veia. O material colhido deve ser devidamente identificado na presença do paciente e o mesmo deve realizar a conferência dos dados.


Além disso, as amostras devem ter sua composição e integridade mantidas durante essa fase, para que sejam representativas e estáveis. Para isso, deve-se ter a devida atenção ao manuseio, transporte e armazenamento das amostras. A estabilidade da amostra sanguínea é definida pela capacidade dos seus elementos manterem-se nos valores iniciais, dentro de limites de variação aceitáveis, por um determinado período de tempo. O transporte deve ser feito em recipientes isotérmicos, impermeáveis e identificados com a simbologia de risco biológico, além dos dizeres “Espécimes para Diagnóstico”, seguindo todas as normas de biossegurança.


Após coleta e transporte, inicia-se o recebimento e aceitação e/ou rejeição da amostra, de acordo com os critérios estabelecidos pelo Laboratório Clinico. Para assegurar que a amostra seja viável e representativa, deve-se observar o volume obtido, o tubo utilizado e o tipo de anticoagulante, pois são critérios rígidos de aceitação.


Pode-se considerar critérios para rejeição de amostras:


a)Sangue coagulado;
b)Coleta realizada com o tipo incorreto de anticoagulante;
c)Desrespeito à proporção adequada entre sangue e anticoagulante;
d)Tubos contendo amostras identificadas de forma incorreta;
e)Tubos avariados e sem identificação do paciente;
f)Amostras hemolisadas, lipêmicas ou insuficientes;
g)Amostras sem a condição de transporte adequada.


Existem também erros nas fases analítica e pós-analítica, os quais também devem ser considerados. Porém, o ponto crítico está na fase pré-analítica. Ela compreende processos que dependem de ações manuais e que necessitam de um controle rigoroso para evitar transtornos futuros. A capacitação dos profissionais envolvidos na fase pré-analítica através de treinamentos constantes é uma forma de renovar o conhecimento e garantir que todos os procedimentos sejam seguidos de forma correta. Além disso, é importante dar condições adequadas de trabalho para esses profissionais através do fornecimento de EPI’s e demais equipamentos de suporte.
Diante disso, torna-se necessário que estratégias específicas sejam adotadas para que as análises e os resultados tenham qualidade, propiciando ao laboratório a confiança, segurança e agilidade em seus laudos para auxiliar no diagnóstico médico.


 

Bibliografia




  • Costa, V. G.; Moreli, M. L. Principais parâmetros biológicos avaliados em erros na fase pré-analítica de laboratórios clínicos: revisão sistemática. J Bras Patol Med Lab. v. 48, n. 3, p. 163-168. Junho 2012.

  • GUIMARÃES, A. C. O laboratório clínico e os erros pré-analíticos. Rev HCPA. 31(1). 2011.


 

Allan Coura
Assistente de Marketing
Diagno

Entre os dias 17 e 19 de junho, a Diagno participará como expositora do 46º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas (CBAC), evento a ser realizado no Expominas – BH. Estará no estande 06 lançando nosso novo produto.
Convidamos a todos os profissionais da área de Análises Clínicas, estudantes e nossos parceiros distribuidores para estarem conosco nesses dias.

A preocupação com a qualidade de produtos e processos industriais está presente na vida do homem desde a década de 20, quando houve a evolução da indústria bélica e, consequentemente, maior preocupação a respeito da conferência de produtos finais a fim de evitar a comercialização de produtos defeituosos. Com o avanço da tecnologia, o controle de qualidade tornou-se essencial para assegurar a qualidade dos produtos, serviços, equipamentos e instalações dos mesmos. A partir disso, houve a necessidade de padronização dos processos operacionais, o que resultou na criação da International Organization for Standardization (ISO), a qual é responsável por criar normas para produtos e serviços. A norma ISO 9001:2015, mais especificamente, é utilizada como referência para a implantação de sistemas de gestão da qualidade.
 
De forma geral, o objetivo da Gestão de Qualidade é assegurar que o cliente tenha suas expectativas e necessidades atendidas por meio da padronização e manutenção dos processos, além de garantir que o fornecedor atenda a todos os requisitos técnicos e organizacionais exigidos nas normas e nos contratos de fornecimento. Além disso, várias atividades são realizadas em um setor de qualidade, como o gerenciamento e operação do sistema, criação de Procedimentos Operacionais Padrão (POP’s), prática da política da qualidade, organização de documentos, realização de testes para análise da qualidade dos produtos e realização de auditorias internas. É importante destacar que a qualidade de processos e produtos não depende apenas do setor de qualidade, uma vez que a gestão de qualidade deve ser aplicada desde a obtenção da matéria prima até a entrega do produto.
 
A base da gestão da qualidade conta com ideais de alguns pensadores, como William Edwards Deming que criou o ciclo “Plan-Do-Check-Act” (PDCA). Através desse, permite-se que os processos sejam executados adequadamente e que a melhoria contínua seja um processo recorrente. Deming também é responsável pelo desenvolvimento dos “14 Princípios”, em que estão descritos os fundamentos necessários, a respeito da qualidade, para que o sucesso e a excelência organizacional sejam atingidos, além de reforçar a importância da qualidade preventiva, o que resulta em redução de custos, retrabalhos, falhas e um maior aproveitamento do tempo e dos materiais. Outro pensador importante, Philip B. Crosby, criou o conceito de Defeito Zero, em que é enfatizada a importância da conformidade dos requisitos de qualidade.
 
Tendo em vista toda a evolução dos conceitos e aplicações do processo de qualidade, a Diagno Soluções em Diagnósticos LTDA tem total preocupação e compromisso com a qualidade de seus processos e produtos e, para isso, conta com um setor de qualidade com profissionais bem qualificados e atualizados quanto às atividades relacionadas à qualidade. A Diagno é regida pelos parâmetros propostos na RDC 16 de 2013 (Anvisa) e aplica diariamente os princípios descritos anteriormente, a fim de criar processos para otimização dos produtos comercializados e desenvolver procedimentos necessários para a melhoria da empresa, além do investimento em qualificação, formação e motivação dos funcionários. Os reagentes, controles e equipamentos fornecidos pela Diagno são produzidos com excelência, visando sempre a qualidade e a completa satisfação do cliente. Esse é nosso objetivo primordial.

 


REFERÊNCIAS:
 
PALADINI, E. P.et al. Gestão da Qualidade Teoria e Casos. Elsevier, 2ª edição, 2012.
VIEIRA, K. F. et al. A utilidade dos indicadores da qualidade no gerenciamento de laboratórios clínicos. J BrasPatolMed Lab, v. 47, n. 3, p. 201-210, junho 2011.



 

Giselle Amaral
Assistente da Qualidade - Diagno

Quando uma pessoa vai ao médico, ou por se sentir mal, ou mesmo para realização de um check-up, um exame que provavelmente será solicitado é o hemograma, mais conhecido como “exame de sangue”. Para entendermos melhor sobre este exame, é importante conhecermos alguns conceitos básicos relacionados à hematologia, que é um ramo da biologia, onde as células sanguíneas (Glóbulos Vermelhos, Glóbulos Brancos e Plaquetas) são estudadas, assim como doenças relacionadas à estas células.

Os Glóbulos Vermelhos, também denominados eritrócitos ou hemácias, são células anucleadas e possuem forma bicôncava com um centro mais profundo em relação às suas bordas. Além de ajudar no transporte de gases, esse formato também possibilita maior proximidade da membrana da célula com a hemoglobina, que é uma proteína, a qual é responsável pela cor vermelha característica dos eritrócitos, além de ser responsável pelo carreamento do oxigênio pelo organismo.

Já os Glóbulos brancos, ou Leucócitos, são responsáveis pela proteção do organismo contra possíveis doenças. Eles são divididos em alguns subtipos. Os Granulócitos são leucócitos que apresentam grânulos em seu citoplasma. São eles os Neutrófilos, Basófilos e Eosinófilos. Os Agranulócitos, por sua vez, não apresentam grânulos no citoplasma e são constituídos pelos Linfócitos e Monócitos.

As plaquetas são fragmentos de citoplasma provenientes de células denominadas Megacariócitos. A principal função deste elemento é o bloqueamento primário de lesões em vasos sanguíneos e iniciar a formação de coágulos de sangue.

Para a avaliação geral das células sanguíneas de um indivíduo, é realizado, então, o hemograma. Neste, a série vermelha é estudada através do eritrograma, em que são inclusos parâmetros gerais relacionados aos eritrócitos, além da dosagem de hemoglobina. Dentre estes parâmetros, estão a contagem global de eritrócitos, o Hematócrito (HTC), o qual traduz a relação percentual entre os eritrócitos e o plasma, e os Índices Hematimétricos. Estes últimos são constituídos pelo Volume Corpuscular Médio (VCM), que é o volume médio de uma população de eritrócitos; Hemoglobina Corpuscular Média (HCM), que corresponde ao peso médio de hemoglobina em uma população de eritrócitos; Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM), que é a média da concentração interna de hemoglobina em uma população de eritrócitos; e Amplitude de Distribuição dos Eritrócitos (RDW-CV e RDW-SD), correspondente à determinação quantitativa da variação do volume dos eritrócitos, em que o RDW-CV é expresso como Coeficiente de Variação e o RDW-SD é expresso como Desvio Padrão.

Além disso, no hemograma também está incluso o leucograma, que é o estudo dos Glóbulos Brancos. Além da contagem global de Leucócitos, também é realizada a contagem diferencial. Dessa forma, há contagem de Linfócitos, Monócitos, Eosinófilos, Basófilos e Neutrófilos.

Por fim, há também o estudo das plaquetas no hemograma. Estas são observadas em relação à quantidade e tamanho. Dessa forma, além da contagem de plaquetas, são avaliados alguns parâmetros, como o Volume Plaquetário Médio (VPM); Plaquetócrito (PCT), que corresponde ao volume total de plaquetas em um determinado volume de sangue; Amplitude de Variação do Tamanho das Plaquetas (PDW), que reflete o quanto o tamanho das plaquetas estão uniformes; e Percentual de Plaquetas Grandes (PLC-R), que mede a porcentagem de plaquetas com volume acima de 12 fl.

A Tabela 1 possui os dados relativos aos valores de referência para os exames gerais realizados no hemograma.

Tabela 1: Valores de Referência para os testes realizados no hemograma.



É importante ressaltar, ainda, que uma atenção especial deve ser dada à fase pré-analítica, a qual é anterior ao processamento da amostra. Estudos recentes mostram que de 46 a 68% das falhas que acontecem em laboratório acontecem nessa fase. Existem várias fontes de erro durante a fase pré-analítica que podem afetar a qualidade e a confiabilidade dos resultados gerados. Algumas dessas são relacionadas à orientação inadequada ao paciente, à fisiologia do mesmo e à coleta e manipulação da amostra. Dessa forma, é imprescindível que todas as orientações pré-exame sejam seguidas corretamente, para que as possibilidades de erros nos resultados sejam evitadas.

 

Vanessa Gonçalves Milagres

Mestre em Análises Clínicas e Toxicológicas - UFMG

Assistente Científica de Produtos – Diagno

 

Referências Bibliográficas

[1]       E. M.-C. Robert Chatburn, “Hematology,” Handb. Respir. Care Third Ed., pp. 1–30, 2010.

[2]       E. C. Williams, “Integrated Hematology System,” 2014.

[3]       American Society of Hematology, “Blood Basics,” 2019. [Online]. Available: https://www.hematology.org/Patients/Basics/. [Accessed: 11-Jan-2019].

[4]       R. Antônio Gomes Oliveira, Hematologia Métodos e Interpretação. 2013.

[5]       R. Revista Brasileira de Análises Clínicas, “Valores de referência dos índices plaquetários e construção de algoritmo para liberação do plaquetograma,” 2019. [Online]. Available: https://www.rbac.org.br/artigos/valores-de-referencia-dos-indices-plaquetarios-e-construcao-de-algoritmo-para-liberacao-do-plaquetograma/.

[6]       D. Provan, C. R. J. Singer, T. Baglin, and I. Dokal, “Oxford Handbook of Clinical Haematology,” 2009.

[7]       P. H. da Silva, H. B. Alves, S. R. Comar, R. Henneberg, J. C. Merlin, and S. T. Stinghen, Hematologia Laboratorial: Teoria e Procedimentos. 2016.
Em fevereiro é feito a campanha em combate a leucemia, denominada fevereiro laranja. Uma doença que quando diagnosticada cedo tem grande chance de um prognóstico duradouro, ou de até mesmo a total remissão em caso de transplante de medula. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se 5.940 novos casos de leucemia em homens e 4.860 em mulheres para 2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,75 novos casos a cada 100 mil homens e 4,56 para cada 100 mil mulheres, ocupando a 9ª e a 10ª posições na estatística.

A leucemia é uma doença que atinge os glóbulos brancos podendo ser causada por mutações genéticas ou não. Sua principal característica é o acúmulo de células doentes na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais. Na medula óssea ocorre o processo de hematopoese, que é a diferenciação, maturação e produção das células sanguíneas. Todas as células circulantes no sangue são descendentes das células tronco, correspondendo a menos de 0,01% das células nucleadas da medula óssea. As células troncos são células indiferenciadas, sem função, que pode se desenvolver em células sanguíneas. A mesma tem uma capacidade única de auto renovação e um grande potencial de crescimento e diferenciação em linhagens linfoide e mieloide (granulocítica, monocítica, eritroide e megacariocítica).

As células troncos sofrem um estimulo específico, se dividem e geram as células progenitoras adquirindo características de apenas uma linhagem. Elas vão se proliferando e diferenciando em células precursoras morfologicamente bem definidas que se tornam maduras e desenvolvem funções específicas, que param de se proliferar chegando no seu estágio final, que são as células como conhecemos: Eritrócitos, Leucócitos e Plaquetas. Na leucemia, uma célula sanguínea que ainda não atingiu a maturidade sofre uma mutação genética, transformando-se em uma célula cancerígena. A mesma não funciona de forma adequada, multiplica-se mais rápido e tem um tempo de vida maior do que as demais, o que resulta na substituição das células saudáveis por células anormais.

 

 

Classificação


 

 

Podemos classificar as leucemias em diversos subtipos de acordo com a linhagem afetada, contudo é importante diferenciar a leucemia aguda da crônica, na qual a primeira tem o material medular com predominância de blastos ou de células com evidencias de diferenciação inicial, como é o caso da leucemia promielocítica aguda, na qual as células não podem exercer a mesma função das normais. Nesse caso o número de células anormais cresce de forma abrupta e a doença tem uma piora num curto intervalo de tempo. Nas leucemias crônicas, onde o infiltrado medular consiste em uma maior quantidade de células diferenciadas, no princípio as células leucêmicas até conseguem fazer o trabalho dos glóbulos brancos normais, porém se agrava à medida que elas aumentam, aparecendo ínguas nos linfonodos ou mesmo infecções.

 

Leucemia Mieloide Crônica (LMC)


 

Um subtipo de leucemia crônica é a Leucemia Mieloide Crônica (LMC) que afeta as células mieloides e tem seu processo de desenvolvimento lento. Geralmente as pessoas diagnosticadas com esse tipo de doença são adultos e dificilmente afetará criança, sendo a frequência deste tipo de leucemia de 1 em 1 milhão de crianças até os 10 anos. Em adultos, fica em torno de 1 em 100.000 indivíduos.

Ela é caracterizada pela presença de uma anormalidade genética que envolve os cromossomos de números 9 e 22, sendo uma alteração de causas desconhecidas. Entre os principais sintomas que fazem os pacientes a procurarem ajuda médica são cansaço, palidez, sudorese, perda de peso e desconforto do lado esquerdo do abdome, devido ao aumento do baço. A medida que LMC piora se torna mais complicado o seu controle, chamada de fase acelerada. Nela há um aumento ainda maior do baço e aumento de blastos (células imaturas).  Depois a doença evolui para a fase blástica ou aguda, na qual predominam as células blásticas na medula óssea e no sangue.

 

Leucemia Mieloide Aguda (LMA)


 

Leucemia Mieloide Aguda (LMA) tem avanço rápido e atinge adultos e crianças. Caracteriza-se pelo crescimento descontrolado e exagerado das células indiferenciadas, chamadas “blastos”, de característica mieloide. Entre os principais sintomas relatos, pode ser destacar o cansaço e dispneia durante atividades físicas, palidez, sinais de sangramento como manchas na pele, sangramento nas mucosas, nariz e outros locais, além de febre, infecções e dores ósseas.

 

Leucemia Linfoide Aguda (LLA)


A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) afeta as células linfoides, porém agrava de forma rápida. É comum em crianças de entre 3 e 5 anos, mas podem vir a ocorrer em adultos. Ela resulta na produção descontrolada de blastos de características linfoides e no bloqueio da produção normal de eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Na maioria das vezes, sua causa não é evidente e seu desenvolvimento se dá a partir dos linfócitos primitivos, que podem se encontrar em diferentes estágios de desenvolvimento.

Os principais sinais e sintomas são cansaço, falta de ar, sinais de sangramento, infecções e febre. Além disso, podem ocorrer aumento de gânglios, inflamação dos testículos, vômitos e dor de cabeça, sugestivos de envolvimento do sistema nervoso.

 

Leucemia Não-Linfocítica


 

A leucemia não-linfocítica aguda ocorre em células de origem hematológica com mutação genética, que resulta em uma população monoclonal de células mieloides cuja capacidade de se diferenciarem não estão funcionais. Além disso, essas as células são extremamente proliferativas, dessa forma os blastos e outras formas iniciais substituem cada vez mais os elementos hematopoiéticos normais da medula.

 

 

Diagnóstico e Tratamento


 

 

O diagnóstico é feito através de análise das células em microscópio e a identificação dos blastos para LMA e uma grande proporção de glóbulos brancos maduros em comparação com os imaturos (blastos) para LMC. Esse material obtido deve ser submetido a técnica de imunofenotipagem e análise dos cromossomos (citogenética). Para LLA além de análises descritas acima, através da contagem de leucócitos pode avaliar a contagem inicial de glóbulos, as condições clínicas e o envolvimento ou não do sistema nervoso, testículos e gânglios. Caso seja necessário, pode-se avaliar o envolvimento do sistema nervoso através do estudo do líquido cefalorraquidiano (liquor).

De forma geral o tratamento é realizado com quimioterapia, sendo necessário que os pacientes sejam tratados assim que o diagnóstico é confirmado. O objetivo inicial é a remissão com restauração da produção normal das células sanguíneas, sendo feita uma combinação de diversas drogas para controle da doença. Para LMA as drogas utilizadas nesta fase são acitarabina ou Aracytin por 7 a 10 dias e a idarrubicina ou daunorrubicina.  A necessidade de um tratamento pós remissão deve-se levar em conta a idade do paciente, condições clínicas e os resultados da citogenética, podendo variar em quantidade de doses de quimioterapia e a possibilidade do transplante de medula óssea.

Já para LMC o tratamento é feito pelos chamados inibidores de tirosino-quinase. O imatinibe foi o primeiro a ser aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Esse medicamento apresentou ótimas respostas hematológicas e citogenéticas, que até então só eram possíveis através do o transplante de medula óssea. É o padrão de tratamento e tem maior eficácia nas fases iniciais da doença, contudo seu efeito reduz quando a doença entra nas fases acelerada e blástica.

Em caso de fatores prognósticos desfavoráveis ou recidiva da doença, deve levar ao paciente tratamentos mais agressivos, nesse caso o transplante de medula óssea é uma boa opção. O mais importante em caso de suspeita é o diagnóstico precoce. Por sua causa ser genética ou desconhecida é imprescindível que o paciente faça os exames e detecte, pois, quanto mais rápido o início do tratamento maiores as chances de remissão e até cura.

A Diagno mais do que uma indústria de diagnóstico, tem amor pela vida, estaremos constantemente trazendo informações úteis para a saúde.

 

 

Bibliografia

 

1 - Anjos, A. R., & Alvares-silva, M. (2000). Matriz Extracelular e Leucemia, 22(3), 404–412.

2 - Leukemia?: genetics and prognostic factors. (2008). https://doi.org/10.2223/JPED.1785

3 - Sociedade, L. (2014). Leucemia – Sociedade em risco.

4 - Inca – Instituto Nacional do Câncer. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/leucemia>. Acesso em 05 de fevereiro de 2019.

 

Autor:

Allan Coura,

Biomédico - Diagno

 

 
 

Existem no mercado vários tipos de analisadores hematológicos para uso em laboratórios de análises clínicas. Neste artigo, são apresentados alguns dados gerais de comparação entre analisadores hematológicos da Diagno (Icounter), com outros analisadores de marcas de referência no mercado. Para isso, foram utilizados alguns parâmetros relacionados ao hemograma, como contagem global de eritrócitos (RBC), contagem global de leucócitos (WBC) e Hemoglobina (HGB).

 

 



 

 

 

 



 

 

 

 



 

 

 

 

Os analisadores hematológicos da Diagno apresentam resultados que possuem boa correlação com resultados provenientes de outros analisadores de referência no mercado. Os produtos da Diagno apresentam, entretanto, várias vantagens em relação aos de outros fabricantes. Dentre estas, vale ressaltar que são os únicos analisadores hematológicos produzidos nacionalmente, o que permite uma assistência técnica eficiente, além de serem produtos compactos, com liberação rápida de resultados e que utilizam apenas dois reagentes (um lisante e um diluente), sendo que os volumes necessários dos mesmos para cada teste são muito baixos.